quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

5-"Tu…tentaste acabar com a tua vida?"

Do outro lado da porta apareceu-me o Lorenzo, quem eu menos esperava.
-Tu aqui?-Perguntei eu.

-É assim que me recebes?-Perguntou ele.

-Que eu saiba quem está a receber és tu a mim.Boa Noite!

-Boa Noite! Entra lá!-Eu entrei e ele fechou a porta.-Mas já vi que não gostaste de me ver por aqui.

-Claro que gostei!-Dei-lhe um beijo na bochecha.-Só não estava à espera.

-Foi a tua amiga que combinou isto tudo!

-A Filipa?

-Sim! Mas ficaste mesmo contente?

-Claro que sim!

-A Filipa disse-me que isto era importante para ti…-Puxou a manga da camisa para cima e lá estava  a pulseira que eu lhe emprestei, desapertou-a e deume-a.-Por isso, devolvote-a. E muito obrigado por me a teres emprestado mesmo sendo tão importante para ti.

-Mas ela não te contou o porque pois não?

-Não!

-Ainda bem! Quero ser eu a fazê-lo!-Entretanto apareceu a Filipa.

-Boa Noite!-Disse ela.

-Boa Noite! Podias-me ter dito que o Lorenzo vinha!

-Para não vires?

-Não vinhas?-Perguntou o Lorenzo.

-Vinha! Só não te convidei eu porque pensei que ias querer passar a passagem de ano com os teus amigos.

-Tenho o ano todo para estar com eles, este ano passo contigo e com todos os que estão aqui.

-Obrigada! E ficas até quando?

-Tenho de voltar depois de amanhã.

-Então temos de aproveitar a tua estadia por aqui.

-Sim!-A Filipa afastou-se. Provavelmente estava na altura de lhe contar da importãncia da pulseira mas era um assunto que me custava ainda falar e, por isso, adiei mais algum tempo. Ainda nos divertimos mais um pouco e só duas horas depois é que ganhei coragem para lhe contar tudo.

-Podes vir comigo até lá fora?-Perguntei ao Lorenzo.

-Claro!-Fui à frente e ele seguiu-me até ao jardim. Sentei-me num banco e ele sentou-se ao meu lado.

-Acho que está na altura de te contar a história desta pulseira.-Voltei a olhar para ela, a pulseira que tinha sido do meu irmao.

-Mas se não estiveres preparada não contes.

-Mas eu quero fazê-lo!

-Então estou aqui para ouvir e para o que precisares!

-Esta pulseira foi do meu irmão mais velho.

-Tinhas mais um irmão?

-Sim com 20 anos.

-O que é que aconteceu?-Começei a recordar aquele dia, aquele dia que mudou tudo e todos. Desde esse dia que nunca mais pensei na vida da mesma maneira.

*RECORDAÇÃO ON* (13 de Novembro de 2005)
Eu tinha 16 anos, o meu irmão mais novo tinha 6 anos e o meu irmão mais velho 20 anos.
Estavamos todos de férias, era um dia em família. Tinha saido mais os meus pais e os meus dois irmãos. Tinha sido um passeio em família mas a chuva que se avizinhava fez-nos voltar ao carro e regressar a casa. O meu pai conduziu em direcção a casa, o ambiente estava animado e todos cantavamos uma música que passava na rádio mas o mais inesperado aconteceu. O meu pai perdeu o controlo do carro e depois de bater nos separadores, só me lembro de ver um camião vir na direcção do nosso carro e acabei por apagar. Acordei não sei quanto tempo depois, eu tinha apenas alguns arranhões e um pé partido que na altura não conseguia mexer. Do meu lado direito, o meu irmão mais novo chorava mas também só tinha alguna arranhões mas do meu lado esquerdo estava o meu irmão mais velho, cheio de sangue e sem qualquer reacção.
-Manooo!-Chamei eu desesperada.

-Como é que vocês estão?-Perguntou o meu pai.

-Eu e o Alex estamos bem. Mas o Chris não, ele tem ali qualquer coisa espetada de lado.- Parecia-me ser um ferro, provavelmente algo do camião.-E a mãe?

-Também ainda não acordou.

-Mãeee!!-Abanei-a um pouco mas não resultou de nada. Quando voltei a olhar para o meu irmão ele estava a abrir os olhos.

-Mannooo!!Como é que estás?-Ele tentou mexer-se mas não conseguiu. O Sangue continuava a escorrer-lhe.

-Tem calma! Já vem alguém tirar-nos daqui.

-Eu não vou aguentar!

-Não digas isso, então ainda temos muitos anos pela frente para as nossas brincadeiras e picardias.-Disse eu a sorrir ao mesmo tempo que algumas lágrimas teimosas já me corriam pela cara.

-Não temos não! Pai?

-Sim, estou aqui!

-Apesar de eu sempre não fazer o que me mandavas, quero que saibas que gosto muito de ti! E digam à mãe que também gosto muito dela, é melhor mãe do mundo! E aí do pirralho também! Porta-te bem e faz tudo o que os pais mandarem!

-Eu não sou piralho!-Disse o Alex, sem perceber o que se tava a passar.

-E tu sua chata..-virou um pouco a cabeça para mim.- toma bem conta de ti e não faças asneiras. Apesar das nossas picardias, nunca te esqueças que eu gosto muito de ti.-A voz dele estava mais arrastada e com pouca força. Puxou a manga da camisola dele e desapertou a pulseira que usa à algum tempo-Isto é para ti! Nunca a tires!-Colocou-me a pulseira e segundos depois deixou cair as mãos e a cabeça. Era o sinal que o tinha perdido para sempre.

-Nãoooo! Manooo! Por favor! Não me deixes! Preciso de ti!-Gritei desesperada. Ele sempre foi o meu maior apoio e suporte na minha vida desde os meus 10 anos. Era a ele que muitas vezes pedia conselhos, era ele que muitas vezes me ajudava nos trabalhos da escola, era com ele que eu me ria, era juntamente com ele que fazia alguns disparates às escondidas dos meus pais e como iria fazer a partir de agora sem ele? Naquele momento só pedia para ir com ele, não queria cá ficar sem ele, apesar de ter outras pessoas de quem gostava também. Naquele momento todos choravamos e a minha mãe continuava sem acordar, o que nos fazia deseperar ainda mais.

*RECORDAÇÃO OFF*
Enquanto conatava tudo isto as lágrimas foram-me correndo pela cara. O Lorenzo ouvia-me atentamente sem dizer uma única palavra. No fim de eu falar, ele limpou-me as lágrimas e ele também tinha deixado escapar algumas.
-Que história horrível. Deves ter sofrido tanto.

-Sim, bastante! E fiz algumas coisas que agora me arrependo, dai a minha vinda para Portugal.

-Tu…

-Podes perguntar.

-Tu…tentaste acabar com a tua vida?

-Sim. Tomei alguns comprimidos de uma vez com essa intenção e só estou aqui agora porque os meus pais apareceram a tempo.

-E…preferias que não tivessem aparecido?

-Na altura sim. Agora não, sei que tenho muito para viver e que o meu irmão não iria ficar nada contente por o ter feito.

-Ainda bem que nada do que tentaste resultou! Tu és uma excelente pessoa e não merecias nada pelo que passaste. E sabes que estou aqui para o que precisares.-Deu-me um abraço, era de abraços apertadinhos que eu precisava e o dele soube mesmo bem.

-Obrigada! E agora queres-me contar tu alguma coisa?

-Não sei! Mas há alguma coisa que queiras saber?

-Por acaso sim.

-Diz!

-Eu fiquei a pensar no porque de me teres agradecido no aeroporto.

-Ah isso!

-Se não quiseres contar estás à vontade.

-Não é nada de especial mas eu posso contar!

-Só estou de ouvidos!

-A última relação que tive durou 3 anos e acabou à pouco mais de um mês porque eu descobri que ela esteve comigo durante estes três anos só por interesse.

-A sério? E como é que descobriste?

-Ouvi uma conversa dela com uma amiga.

-Tu gostavas mesmo dela certo?

-Sim apesar de que já não estava a sentir o mesmo que sentia por ela no ínicio.Aos poucos isto vai passando.

-Mas…então porque o obrigado?

-Porque eu assim que terminei a relação com ela, meti na minha cabeça que as outras raparigas eram como ela e que nunca mais iria conseguir confiar em nenhuma rapariga. Mas apareceste tu! E logo no primeiro dia que te conheci, percebi que eras diferente e que podia confiar em ti!

-Sim, isso podes ter a certeza! Não sou nem nunca fui interesseira. Tanto que eu quando te conheci dei-te um pouco para trás com medo que pensasses isso de mim.

-Eu percebi! Mas eu sei que não és como a outra!
                                                   
-Meninos! Faltam 10 minutos!- Avisou a Filipa. O tempo tinha passado a voar e estava quase na hora da contagem para o novo ano. Levantamo-nos os dois e juntamo-nos ao resto do pessoal que começava a juntar-se no jardim. Esperamos ansiosos os 10 minutos que faltavam. Quando faltavam 10 segundos a contagem foi feita e no fim, a garrafa do champanhe foi aberta.

-Feliz ano para todos!-Disse a Filipa.

-Feliz ano!-Dissseram alguns. Fizemos um brinde e derrepente o Lorenzo puxou-me para uma zona mais afastada do jardim. Já se começava a ver o fogo de artificio no céu.

-Feliz ano para ti!-Disse-lhe eu mas ele nada me respondeu, olhava para mim nos olhos e muito sério. No segundo seguinte pôs a mão no fundo das minhas costas, fazendo pressão e empurrou-me para ele, seguindo-se algo que eu não esperava.
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Olá a todas!
Espero que tenham gostado!
E que deixem os vossos comentários, eles são mesmo muito importantes para eu saber o que estão a achar do desenrolar da história! 
Obrigada a quem se mantém desse lado!
Beijinhos!

sábado, 11 de janeiro de 2014

4-"Mãe, pai, irmão…este é o Lorenzo."

-Mas não tens de explicar!

-Mas eu quero!

-Então explica mas dentro do carro que está frio!-Entremos no carro. A culpa de ele me querer explicar tinha sido minha e agora tinha de ouvir.

-Eu não tenho namorada! Acabamos foi à um mês!

-Mas isso deve ser na boa para ti, deves ter tantas!

-Ai é que te enganas! Namorava com ela à três anos.

-À três anos?A sério?-E eu a pensar que ele andava com uma rapariga diferente todos os dias e afinal não, a última relação dele tinha durado três anos e eu estava a julgá-lo sem saber.

-Sim! Eu não sou como tu pensas que sou!

-Pois, desculpa! Eu acho sempre que os jogadores de futebol têm uma rapariga diferente todos os dias.

-Enganas-te! Se quisermos e procurar-mos à muitas interesseiras.-Gostei do facto de ele chamar interesseiras e não interessadas.

-Pois acredito!

-Não quer dizer que nunca tenha tido uma relação curta mas gosto mais de relações duradouras e em que se possa construir algo junto com a outra pessoa.-Eu cada vez estava mais espantada com ele e não esperava nada que ele fosse assim.-Que cara é essa?

-Surpreendeste-me!

-E se deixares ainda surpreendo mais!

-Ai é? Como?

-Esquece! Vamos embora!-Não tinha percebido o que ele tinha querido dizer com aquilo mas ele pediu para esquecer e assim eu fiz. Estava na hora de voltar a casa antes que me começassem a ligar. O Lorenzo sorriu-me, ligou o carro e começou a conduzir até minha casa. Em 15 minutos, já estávamos estacionados à porta de minha casa.

-A que horas é que vais amanhã?

-O avião parte às 09:00 horas.

-Então até amanhã!

-Até amanhã?

-Sim! Amanhã quero despedir-me de ti como deve ser.

-Mas vão lá estar os meus pais e o meu irmão.

-Não faz mal!

-Não vou contestar! Tu é que sabes!

-Então até amanhã!Bom Natal!-Disse dando-me um beijo na bochecha.

-Bom Natal!Até amanhã!-Sai do carro e caminhei até à porta de casa. Vi ele ir embora e entrei em casa. E agora o que fazer com o ramo das flores que ele me deu? Exibir não seria a melhor opção. Escondi-o atrás das costas.

-Voltei família!-Estavam todos sentados no sofá da sala, incluindo os meus avós paternos que já tinham chegado para passar o dia 25 connosco. Cumprimentei-os e sentei-me ao lado do meu irmão.

-Isso que tens ai atrás das costas é um ramo de flores?-Perguntou o meu irmão.

-Oh puto…nunca viste um Ramo de Flores?-Eu e o meu irmão sempre andámos as turras mas quando ele me faz estas coisa fico passada.Agora os meus pais já sabiam das flores. Pus-as no meu colo e quando reparei já tinha os meus pais e os meus avós a olharem para mim como que à espera de uma explicação.

-Quem te deu as flores?-Perguntou a minha mãe.

-Um amigo!

-Com corações?

-Isso foi um engano da florista!

-Então foi com esse amigo que foste ter?-Perguntou o meu pai.

-Sim!

-Então e quando é que o conhecemos?-Perguntou a minha mãe.

-Não sei para que mas amanhã! Ele faz questão de se ir despedir ao aeroporto.

-Então amanhã conhecemos-o! Agora vamos almoçar!

Almoçamos todos em família, já tinha saudades destes momentos. O resto do dia também passada em família: troca de presentes com os meus avós paternos, muita conversa e claro matar as saudades todas.

No Dia Seguinte:
Acordei eram 07:30, tomei um banho, vesti-me e trouxe as minhas malas para a entrada.Eram 8 horas e já púnhamos as malas num táxi. As despedidas foram a parte mais complicada, custa sempre e principalmente quando sei que vamos estar muito tempo sem os ver. Mas teve de ser, depois de algumas lágrimas teimosas ainda se terem soltado lá entramos no táxi e fomos na direcção do aeroporto. 15 minutos depois chegamos. Tiramos as nossas mala do táxi e caminhamos para o interior do aeroporto. Já la dentro avistei o Lorenzo que veio na minha direcção.
-Bom Dia!

-Bom Dia!-Disse eu cumprimentado-o com dois beijinhos.

-Mãe, pai, irmão…este é o Lorenzo.-Eles cumprimentaram-se todos.

-Olha nós estamos ali na zona do check in à tua espera.-Disse a minha mãe, saindo de perto de nós mais o meu pai e o meu irmão.

-E pronto está na hora de nos despedirmos!-Disse eu ao Lorenzo.

-Isto é para ti!-Disse ele esticando-me um saco com o símbolo do Nápoles. Segurei o saco e olhei para ele.

-É o que?

-Abre!-Sorri-lhe e abri. Era uma camisola do Nápoles,virei e tinha o nome e o número dele.
-Gosto muito!Obrigada!

-É para não te esqueceres de mim! Prometes que nos voltamos a ver?

-Prometo!

-Mesmo?

-Sim!-Desapertei a pulseira que tinha no pulso e dei-lhe.-Para ti! Para teres a certeza que me voltas a ver.

-Eu acredito em ti! Não era preciso!

-Mas fica com ela até à próxima vez que nos virmos! Mas guarda-a bem, era do meu irmão.

-Era?

-Sim!Um dia conto-te tudo!-Ele colocou a pulseira no pulso dele e olhou para ela, era uma simples pulseira com o símbolo de paz.

-Eu também! Há uma coisa que não te contei.

-Então ainda temos muita coisas para saber um do outro.

-Sim! Olha tenho mesmo de ir!-Ele deu-me um abraço e depois de afastarmos os corpos um do outro, ele segurou nas minha mão e olhou nos meus olhos.

-Obrigado por tudo! Até um dia destes!-Deu-me um beijo na bochecha. Ele agradeceu-me enquanto olhava profundamente nos meus olhos, não lhe consegui perguntar porque tinha agradecido mas foi um momento bastante intenso. Dei-lhe também um beijo na bochecha.

-Até um dia destes!-Somos só amigos mas esta despedida estava a custar muito aos dois. Caminhei até junto dos meus pais, olhei para trás e ele ainda olhava para mim. Sorriu-me e eu fiz o mesmo.

-Vamos?-Perguntei aos meus pais.

-Sim! Agora és adepta do Nápoles?

-É! Nem que seja pelo Insigne!-Disse o meu irmão.

-Oh puto tu ultimamente cada vez que abres a boca só dizes asneira!?

-Não fales assim com o teu irmão! Vamos embora!-Fizemos o check in e fomos para o avião. Sentei-me no meu lugar do lado da janela e nesse instante recebi uma mensagem.
«Desculpa mas esqueci-me de te desejar boa viagem! E quando chegares diz-me!»

Ou muito me engano ou vamos continuar a falar mesmo longe um do outro. Agradeci-lhe e arrumei o telemóvel. Aproveitei para dormir mais um pouco. Perto das 13h aterramos no aeroporto de Lisboa. Depois de recolhermos as nossas malas, apanhamos um táxi para casa onde deixamos as nossas malas e saímos para almoçar. Aproveita para mandar a mensagem ao Lorenzo. Estávamos a passar a ponte e por isso mandei uma foto também.
«Já estou em Lisboa!»
                  
Poucos minutos depois já tinha uma resposta.
«Lisboa é linda! Tenho de ir aí!»

Trocamos mais umas mensagens mas depois chegou à altura de almoçar. Depois de almoço voltamos a casa onde arrumei as minhas roupas todas e depois liguei à Filipa.
-Olá guapa!

-Olá! Então estás de volta?

-É parece que sim!

-E eu a pensar que ias lá ficar com o Italiano.

-Não,não fiquei!

-Por um lado até era giro.

-Querias era ver-te livre de mim.

-Sim tu és muito chata! Mas eu quero é saber como foi lá em Itália.

-Ai sou chata?Agora não devia contar nada mas também não quase nada para contar.

-Mas há alguma coisa e eu quero saber!

-Queres vir aqui a minha casa agora?

-Já tou a sair de casa!

-Até já!-Desliguei a chamada e fui até à sala ver televisão. 15 minutos depois já ela tocava à campainha.

-Olá outra vez!-Disse ela.

-Entra! Vamos para o meu quarto que tenho umas coisas para te mostrar.-Ela veio atrás de mim até ao quarto.

-Então conta lá como foi em Itália!

-Então no dia 25 ele mandou-me uma mensagem a dizer que estava à minha porta e estive a manhã com ele. Deu-me aquelas flores!-Disse eu apontando para as flores que as tinha deixado em cima da minha cama, já estavam a começar a murchar mas ainda dava para parecer o que era.

-É romântico e tudo!

-Sim e muito querido!

-Ui tu gostas dele?

-Não! E o rapaz terminou um relação de três anos à pouco tempo.

-O que é que tem?

-Eu não quero ser usada para corar desgostos de amor de ninguém.

-Se ele ainda não se fez a ti é porque não é isso que ele quer de ti.

-Pois também acho. Depois no aeroporto deu-me aquela camisola do Nápoles com o nome dele para eu não me esquecer dele.

-Ele foi despedir-se de ti no aeroporto? Olha que ele gosta mesmo de ti!

-Sim como amiga! Eu também gosto dele! Eu emprestei-lhe a pulseira que eu costumo usar que era do meu irmão para ele ter a certeza que nos voltamos a ver.

-Tu tiraste a pulseira?-Perguntou a Filipa boquiaberta. Eu nunca a tinha tirado desde o dia em que a pus no meu pulso.

-Sim.

-Isso foi um gesto lindo e é sinal que ele tem alguma importância para ti.Ele quando souber a história da pulseira vai ficar muito contente por lhe teres confiado uma coisa tão importante para ti.

-Sim foi uma pessoa que entrou de repente na minha vida, que estou a adorar conhecer e que quero continuar a conhecer.

-Vais lhe contar a história do teu irmão e da tua mudança para Portugal?

-Sim! Talvez a próxima vez que tiver com ele. E também quero perceber o porque de ele me ter dito obrigada no aeroporto.

-Assim do nada?

-Sim agarrou nas minhas mãos, olhou nos meus olhos e agradeceu-me.

-Uiii…deve ser sido intensa essa despedida.

-E foi!-Disse eu a sorrir.

-Olha agora ouve lá aqui os meus planos para a passagem de ano: que me dizes de uma festa no dia 31 à noite em minha casa?

-Olha parece-me bem!

-E vais convidar o Lorenzo!

-Achas?Nem penses.

-Porque?

-Porque ele tem lá os amigos dele.

-Mas pode querer passar a passagem de ano contigo.

-Não!

-Oh não insisto mais, tu é que sabes.-Conversamos mais um pouco mas depois a Filipa teve de ir embora.


4 Dias Depois (31 de Janeiro de 2013)…..
Hoje era dia da passagem de ano. A festa era em casa da Filipa. Vesti o vestido que tinha comprado, maquilhei-me e sai de casa. 
Às 21 horas já estava à porta da casa dela, toquei à campainha e abriu-me a porta quem eu menos esperava.
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Olá!
Espero que tenham gostado de mais um capítulo com este casal!
Deixem as vossas opiniões!
Grazie!

sábado, 4 de janeiro de 2014

3-"Tu tens namorada?"

Peguei no telemóvel e vi que tinha uma mensagem de um número que eu não conhecia nem tinha gravado no telemóvel.
«Bom Dia Anna! Gostava de estar contigo nem que fosse só uns minutos. Estou à porta de tua casa. Lorenzo»

Mas ele estava lá fora, não podia simplesmente deixá-lo pendurado e, por isso, respondi-lhe à mensagem.
«Bom Dia! Não estás a exagerar nem nada? Eu vou-me vestir e já apareço aí.»

Vesti-me num instante e voltei a descer. Estavam todos na sala de volta das prendas que tinham acabado de receber.
-Vou sair!

-Hoje? Agora?-Perguntou o meu pai.

-Sim pai! Prometo que volto antes do almoço!

-Deixa-a ir! Ela já vem!-Disse a minha mãe.

-Vai lá!-Acabou por dizer o meu pai.

-Obrigada!-Sai porta fora e lá estava o carro dele. Caminhei até perto do carro e abri a porta.

-Posso?

-Claro!-Entrei, sentei-me e fiquei a olhar para ele.

-Não achas que estás a exagerar? É dia de Natal, conhecemo-nos ontem e devíamos estar com as nossas famílias.

-Já estive ontem e tenho o resto do dia para estar com eles. Gostava de passar a manhã contigo.

-Eu não posso demorar muito mas sim podemos.

-Então vamos para um sítio mais quentinho.

-Vamos lá!-Ele conduziu e passado 10 minutos já estacionava à porta de uma grande vivenda.

-Então mas vais-me levar onde?

-À minha casa. Está lá mais quentinho.-Disse ele saindo do carro. Eu fiz o mesmo.

-Mas não estás com os teus pais?

-Não. O Natal está a ser em casa deles.

- Ah ok.-Caminhei atrás dele que abriu a porta e me fez sinal para entrar. Estava realmente mais quente, tirei o meu casaco e caminhei até à sala que se via da entrada. Ele veio atrás de mim.

-Senta-te.

-Mas afinal o que é que queres de mim?

-Conversarmos um pouco, só isso. Estou a gostar de te conhecer e acho que podemos vir a ser bons amigos.

-Sim podíamos vir a ser, se eu não morasse em Portugal.

-O que é que isso impede? Há muitas maneiras de falarmos um com o outro.

-Sim mas…

-Mas o que? Para de tentar com que não nos possamos dar bem.

-Eu também gostei de te conhecer. Mas como é que tu queres que nos demos bem e que fiquemos amigos…se amanhã eu já cá não esttou. Queres construir uma amizade num dia?

-Tal como existe o amor a primeira vista…pode existir amizade à primeira vista!Se permitires que aproveitemos esta manhã para nos conhecermos melhor, depois podemos ir conversando pelo facebook, pelo twitter,por mensagens…podes vir cá sempre que quiseres…eu posso ir conhecer Portugal se me deixares.

-Ai pronto! Desculpa! Olá eu sou a Anna!-Já era a segunda vez que começávamos de novo e tudo por minha culpa. Eu sempre fui assim, sempre tive medo de começar novas amizades, medo de me apegar às pessoas.

-Olá! Eu sou o Lorenzo!

-Eu sou jornalista no jornal português A Bola e tu que fazes?

-Eu sou jogador de futebol no Nápoles, clube aqui de Itália.

-Pois eu acho que te vi ontem.-Desmanchamo-nos os dois a rir.

-Está a ser assim tão mau falar comigo?

-Não! Pareces-me ser simpático.                

-Não parece, sou mesmo!

-Convencido!

-Muito! Fala-me mais sobre ti!

-Nasci aqui em Nápoles mas aos 16 anos mudei-me para Portugal com os meus pais, deixando cá os meus avós, tanto da parte do meu pai como da minha mãe.

-E mudaram-se porque?

-Não quero falar sobre isso!

-Claro! Desculpa!

-Não tens de pedir desculpa! Eu é que não tenho orgulho naquilo que fiz.

-É passado! Não penses nisso! Tens irmãos?

-Sim! Um irmão de 16 anos. E tu?

-Também! Tenho dois irmãos: um de 19 e outro de 25 anos!

-Então és o do meio. Protegeste o mais novo e foste protegido pelo mais velho certo?

-Sim! Como é que sabes isso?

-Não quero falar sobre isso! Desculpa!-Parece que esta conversa com o Lorenzo estava a dar para tocar em todos os meus pontos fracos e em tudo aquilo em que eu ainda não consegui esquecer nem mentalizar, apesar de já terem passado alguns anos.

-Tem a ver com a mudança para Portugal também?

-Sim.

-Se algum dia quiseres contar estás à vontade, tens aqui um amigo para tudo o que precisares!

-Obrigada!-Ele abriu os braços dele e eu ainda olhei desconfiada mas acabei por me deixar levar e o abraçar também. Só nos tínhamos conhecido ontem e eu já me sentia tão bem ao lado dele.

-Não tens que agradecer, já te disse que gostei mesmo de te conhecer.

-Eu também! Mas agora tenho mesmo de ir embora.

-Eu levo-te a casa.

-Não é preciso!

-É sim! Também tenho de voltar a casa dos meus pais e além disso tenho uma coisa no carro para ti.

-Uma coisa para mim?

-Sim! Vamos!-Saímos de casa e caminhamos até ao carro. Ele abriu a porta de trás e retirou algo que escondeu atrás das costas e voltou a fechar a porta.


-Para ti!-Disse ele estendendo-me um ramo de rosas vermelhas. São lindas e as minhas flores preferidas.
-Como é que soubeste que eram as minhas preferidas?-Perguntei eu a sorrir.

-Não soube! Eu já sei o que as mulheres gostam mais!

-Pois claro! Devem ser montes delas atrás de ti!

-Estás muito enganada! Sou rapaz de uma mulher só!

-Acho que não acredito nisso! Então porque é que dizes que já conheces as mulheres?

-Porque das poucas que tive deu para saber que gostam de rosas.

-Vou fingir que acredito.

-Pronto, a senhora da florista ajudou-me. E esse coração é culpa dela também…ela achava que era para a minha namorada.

-Tu tens namorada?

-Não!

-Não? Disseste a minha namorada.

-Mas não tenho!

-Levas-me a casa ou vou a pé?

-Calma!

-Calma? Tu disseste a tua namorada.

-Agora sou eu que digo: não estás a exagerar? Não podia ter namorada?-Com esta pergunta é que me apercebi que estava a fazer uma grande cena de ciúmes sem razão alguma. A única coisa que nós tinhamos era um começo de um amizade. Nada mais que isso.

-Podes! Desculpa! Isto saiu-me sem querer.

-Parecia que estavas a fazer uma cena de ciúmes.

-Eu não! Mas olha agora tenho memso de ir!

-Agora não vais! Quero te explicar tudo!